CBS e IBS: o guia completo para empresas
Por Gabriel Pereira ·
A reforma tributária do consumo troca cinco tributos por dois. Sai PIS, Cofins, ICMS e ISS; entram CBS e IBS, no modelo de IVA dual. A diferença prática para a sua empresa não está na sigla — está em quando cada coisa passa a valer, e no que muda no crédito e no fluxo de caixa.
O que é a CBS
A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é federal e substitui PIS e Cofins. Ela é administrada pela Receita Federal e segue a lógica de imposto sobre valor agregado: incide sobre a operação, e o que foi pago na etapa anterior vira crédito.
Isso já é uma mudança relevante em relação ao PIS e à Cofins, onde o regime cumulativo e o não cumulativo conviviam com listas de exceção e disputas constantes sobre o que gerava crédito.
O que é o IBS
O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) substitui ICMS, que é estadual, e ISS, que é municipal. Por isso ele é gerido de forma compartilhada por estados e municípios, através de um comitê gestor.
O ponto que mais muda a rotina: o IBS é devido no destino, não na origem. Empresa que vende para outro estado deixa de recolher onde produz e passa a recolher onde o cliente está. Para quem vende para todo o Brasil, isso reorganiza a operação fiscal inteira.
O calendário — e por que 2027 é o ano que importa
| Ano | O que acontece |
|---|---|
| 2026 | Fase de teste. CBS a 0,9% e IBS a 0,1%, compensáveis com os tributos atuais. Sem aumento real de carga |
| 2027 | PIS e Cofins são extintos. CBS entra com alíquota cheia. Split payment começa em operações B2B |
| 2029 a 2032 | ICMS e ISS caem 10%, 20%, 30% e 40%; o IBS sobe na mesma proporção |
| 2033 | Fim da transição. Só CBS, IBS e Imposto Seletivo |
O trabalho de 2026 é cadastral, não financeiro: cada item vendido precisa do cClassTrib e do CST de IBS e CBS corretos. Empresa que deixar isso para 2027 vai fazer a adequação com a alíquota cheia já rodando.
O que muda no caixa
Três efeitos que aparecem antes do impacto na alíquota final:
O crédito passa a ser amplo. Na regra nova, praticamente toda aquisição usada na atividade gera crédito. Empresas com muita despesa que hoje não gera crédito — serviços, principalmente — tendem a se beneficiar.
O prestador de serviço com pouca despesa tende a pagar mais. Se a maior parte do custo é folha, não há o que creditar. Esse é o perfil que mais precisa simular antes de 2027.
O split payment muda o momento do pagamento. O tributo é separado na liquidação financeira, não no fechamento mensal. Empresa que hoje usa o intervalo entre receber e recolher como capital de giro perde esse intervalo.
Simples Nacional: a decisão que não é óbvia
A empresa do Simples continua recolhendo em guia única. Mas quem compra dela passa a ter crédito limitado — e isso pode torná-la menos competitiva em venda para outra empresa.
Existe a opção de recolher CBS e IBS por fora do Simples justamente para gerar crédito cheio ao cliente. Não é decisão de contabilidade, é decisão comercial: depende de quanto do seu faturamento vem de B2B.
O que fazer agora
- Confirmar se o cadastro de produtos e serviços já tem
cClassTribe CST corretos. - Simular a carga na regra nova contra a atual, com o seu mix real de despesa.
- Se vende para empresas e está no Simples, avaliar o efeito do crédito na sua competitividade.
- Revisar contratos longos que atravessam 2027 — quem absorve a diferença de carga costuma não estar escrito.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre CBS e IBS?
A CBS é federal e substitui PIS e Cofins. O IBS é compartilhado entre estados e municípios e substitui ICMS e ISS. Os dois seguem as mesmas regras de base de cálculo e creditamento — mudam a competência e o destino da arrecadação.
Quando CBS e IBS começam a valer de verdade?
Em 2026 valem alíquotas simbólicas de teste (0,9% para CBS e 0,1% para IBS), compensáveis com os tributos atuais. O marco real é 2027, quando PIS e Cofins são extintos e a CBS passa a ser cobrada com alíquota cheia.
Minha empresa do Simples Nacional é afetada?
Sim, mas de forma diferente. A empresa do Simples continua recolhendo em guia única, e a mudança principal está no crédito que ela gera para o cliente. Isso pode alterar a competitividade em vendas B2B, e é a decisão mais relevante do período de transição.